Erros de Raciocínio
Aprenda a identificar argumentos aparentemente convincentes, mas que apresentam falhas de raciocínio, interpretação ou conclusão.
Desenvolver a capacidade de identificar erros de raciocínio, distinguir argumentos válidos de argumentos aparentemente convincentes e evitar conclusões que não são sustentadas pelas informações apresentadas.
O que é um erro de raciocínio?
Raciocinar significa relacionar informações para chegar a uma conclusão.
Porém, nem todo raciocínio produz uma conclusão correta.
O problema é que alguns erros são difíceis de perceber porque o argumento parece fazer sentido.
Argumento: premissas e conclusão
Para analisar um raciocínio, precisamos identificar suas partes.
Informação utilizada como ponto de partida do raciocínio.
Afirmação que se pretende obter a partir das premissas.
Todo engenheiro precisa conhecer matemática.
João é engenheiro.
Portanto, João precisa conhecer matemática.
Parecer correto não significa ser correto
Um dos maiores perigos no raciocínio lógico é confundir uma conclusão convincente com uma conclusão logicamente válida.
“Pedro estudou bastante e tirou uma nota alta.
Maria também estudou bastante.
Portanto, Maria certamente tirará uma nota alta.”
A conclusão pode até acontecer, mas não é garantida pelas informações apresentadas.
Generalização indevida
Acontece quando observamos alguns casos e transformamos essa observação em uma regra geral sem evidências suficientes.
“Conheci dois alunos daquela escola e os dois chegaram atrasados.”
“Logo, todos os alunos daquela escola chegam atrasados.”
Confundir correlação com causa
Duas coisas acontecerem ao mesmo tempo não significa necessariamente que uma seja a causa da outra.
“Sempre que as vendas de sorvete aumentam, aumentam também os casos de afogamento.”
“Logo, comprar sorvete provoca afogamentos.”
A conclusão ignora uma terceira variável: períodos de calor podem aumentar tanto o consumo de sorvete quanto a frequência de atividades aquáticas.
Apelo à autoridade
Ocorre quando uma afirmação é considerada verdadeira apenas porque uma pessoa considerada importante afirmou aquilo.
“Um famoso empresário disse que determinado investimento é seguro.”
“Portanto, esse investimento é seguro.”
Falso dilema
Acontece quando apresentamos apenas duas opções como se fossem as únicas possibilidades, ignorando outras alternativas.
“Ou você é excelente em matemática ou nunca conseguirá aprender matemática.”
Existem diversas possibilidades entre essas duas situações.
Ataque à pessoa
Também conhecido como ad hominem.
Ocorre quando alguém tenta invalidar uma ideia atacando a pessoa que apresentou a ideia, em vez de analisar o argumento.
“A proposta de Carlos não pode estar correta, porque Carlos não entende nada do assunto.”
A conclusão não decorre das premissas
Considere:
Todos os médicos estudaram.
João estudou.
Portanto, João é médico.
O problema está na conclusão.
Saber que João estudou não permite concluir que ele é médico.
Como detectar um erro de raciocínio?
Ao analisar uma conclusão, faça quatro perguntas:
Quais são as premissas?
O que exatamente está sendo concluído?
A conclusão realmente decorre das premissas?
Existe alguma informação sendo ignorada?
Desafio 01 — Generalização
“Dois alunos desta turma não fizeram a tarefa. Portanto, nenhum aluno desta turma fez a tarefa.”
Qual é o principal problema desse raciocínio?
Desafio 02 — Causa
“As pessoas que usam óculos passam mais tempo estudando. Portanto, usar óculos faz uma pessoa estudar mais.”
Qual erro pode estar presente?
Desafio 03 — Ataque à pessoa
“Não devemos considerar a opinião de Marcos sobre matemática porque ele já foi reprovado em matemática.”
Qual é o problema?
Desafio 04 — Falso dilema
“Ou você passa no concurso estudando sozinho, ou você nunca será aprovado.”
Qual erro aparece nesse argumento?
Desafio final — análise lógica
Analise o argumento:
“Todos os engenheiros estudaram matemática.”
“Carlos estudou matemática.”
“Logo, Carlos é engenheiro.”
Podemos afirmar logicamente que Carlos é engenheiro?
Principais erros estudados
- Generalização indevida: concluir algo geral a partir de poucos casos.
- Correlação ≠ causalidade: duas coisas acontecerem juntas não prova que uma causou a outra.
- Apelo à autoridade: tratar uma afirmação como verdadeira apenas porque uma autoridade a apresentou.
- Falso dilema: apresentar apenas duas possibilidades quando existem outras.
- Ad hominem: atacar a pessoa em vez de analisar o argumento.
- Conclusão indevida: concluir algo que não é garantido pelas premissas.
Antes de aceitar uma conclusão, questione.
Pergunte:
Se a resposta for não, procure onde o raciocínio deu o salto.